RPG Contos

domingo, 10 de julho de 2011

Conquistas - Parte 8 (e mais algumas coisas)

Olá, amigos amantes da fantasia medieval. Hoje trago a vocês a penúltima parte da saga "Conquistas". Depois do fim desta trama, trarei a vocês uma nova história longa protagonizada pelos personagens da saga "Esmeraldas Negras".

Antes, quero pedir a vocês a gentileza de prestigiarem o lançamento do livro "Asgard RPG", de meus colegas Odin e Frodo Bacchi. Clicando aqui ou aqui vocês encontrarão mais detalhes sobre essa importante adição aos títulos já disponíveis no mercado RPGista brasileiro. Garanto que não se arrependerão.

Conquistas - Parte 8

"Os dragões pareciam se multiplicar no horizonte. Cobriam as nuvens, bloqueavam a passagem do sol e voavam em círculos, estendendo seu terror até onde os olhos das vítimas alcançavam.
Já não restavam muitos guerreiros vivos. Os que resistiam tinham se dispersado, para não serem alvos fáceis dos sopros corrosivos de seus algozes. Os poucos magos que sobraram usavam o que restara de sua energia arcana para proteger a todos. Pareciam querer ganhar tempo. Tempo para que a profecia se cumprisse totalmente.

***

Os moradores de Draim fugiam. Homens, mulheres, crianças, idosos e até animais de estimação. Todos corriam, tanto quanto seus ferimentos permitiam, em direção ao sul. Era de lá que os invasores tinham vindo e para lá que ficava o oceano. Seus conquistadores estavam rumando para o norte, então aquela escolha parecia óbvia. Fugir o mais longe que pudessem e rezar para que, nesse meio tempo, heróis de alguma outra cidade detivessem os miseráveis.
O grupo de fugitivos não conseguiu avançar tanto quanto sua empolgação inicial pretendia. Os idosos caminhavam lentamente, não tendo mais disposição física para longas corridas. Crianças e mulheres por vezes paravam para chorar, traumatizados, atrasando o avanço de todos. E ainda havia homens feridos, sem condições de se locomover muito rapidamente.
Poucos quilômetros foram perseguidos. Três jovens soldados que estavam com o grupo se ofereceram para ficar na metade do caminho e tentar deter pelo maior tempo possível os conquistadores, caso eles notassem a fuga e iniciassem uma perseguição. Seria, naturalmente, uma estratégia suicida por parte dos três. Eles não teriam chance contra os inimigos e certamente não poderiam conte-los por mais do que alguns minutos. Em verdade, aqueles jovens propuseram aquilo porque queriam a morte. Seus familiares estavam entre os que não resistiram aos ferimentos sofridos e faleceram antes do início da fuga.
Duas horas se passaram sem que o povo de Draim fosse alcançado por seus antigos captores. Tinham avançado pouco, é verdade. Estavam aproximando-se da região litorânea quando um virote de besta perfurou as costelas de um pai de família.

***

Uma lenda antiga ou uma história contada de pai para filho por gerações. Uma invenção boba de algum avô querendo entreter seus netos, ou uma tentativa de algum bardo incompetente de agradar seus ouvintes. Ninguém sabia.

Mas todos já tinham ouvido falar.

Um relato sobre uma criatura celeste enviada dos céus pelos deuses da justiça. Um raio de esperança quando as forças do mal se mostravam invencíveis. Aquele que surgia no pior momento, para provar a todos que o bem sempre triunfa. O responsável por devolver a fé, quando o desespero já tinha tomado conta dos corações.

O Anjo Sacray.

***

Ayzarohn e seu bando alcançaram os fugitivos de Draim. Sua primeira providência foi cercar todos e assassinar sem piedade os que tentaram resistir. Eram algo em torno de treze guerreiros contra dezenove pessoas inocentes. Entretanto, a pessoa que os conquistadores realmente procuravam não estava ali.

- Onde está a garotinha? – Ayzarohn perguntou.
- Todas as crianças de nosso vilarejo estão aqui – respondeu um dos fugitivos.
- Não minta – berrou Ayzarohn, estocando uma adaga no pescoço do homem.

As crianças começaram a chorar. Mães se apertavam contra seus filhos. Homens de bem, pais de família, revoltados com tanta injustiça, fizeram força para não atacarem o assassino que ceifou outra vida inocente. Ninguém agüentava mais o sentimento de impotência e sofrimento.

- É isto que acontecerá com todos vocês se não responderem sinceramente! – Ayzarohn berrou – Queremos a garotinha que prevê o futuro! Aquela que tem pressentimentos sobre o que vai acontecer. Sabemos que ela é do vilarejo de vocês e sabemos que ela não é nenhuma dessas, pois um soldado meu me passou a descrição física dela. Onde ela está? Respondam ou morrerão!

Os conquistadores deram alguns passos à frente, aproximando-se ainda mais dos fugitivos. Já estavam próximos o bastante para assassiná-los e todos sabiam que era isso que aconteceria se o silêncio continuasse por muito tempo.
Então, uma senhora fechou os olhos e orou. Clamou ao deus da justiça que fizesse alguma coisa. Que não permitisse que aquela carnificina continuasse. Pediu, sinceramente, que os culpados por aquele morticínio fossem punidos. Pediu justiça. Pediu paz. Pediu ajuda.

E os céus ajudaram.

***

Uma criatura robusta, calva e de asas emplumadas surgiu, trazendo consigo uma aura de luz. Sua chegada foi suficiente para que uma sensação de paz dominasse a todos. O desejo de vingança desapareceu, o sentimento de tristeza foi substituído por uma reconfortante alegria.

Exceto, é claro, para os que tinham maldade no coração.

O Anjo Sacray quebrou pescoços com socos, perfurou estômagos com chutes e fez corpos voarem com arremessos. Menos do que um minuto foi necessário para que os conquistadores tombassem. Mesmo lutando com selvageria, nenhum deles, nem todos juntos, foram adversário para o recém-chegado defensor da justiça. Restou apenas um.

Ayzarohn.

O chefe dos conquistadores atacou com prudência, prescrevendo arcos com a lâmina da espada. Não abria a guarda quando agredia o inimigo, temendo a força do contra-golpe do anjo. Sabendo que não conseguiria fugir, começou a intensificar as investidas, decidido a arriscar. Mas todas as suas manobras de combate foram em vão.
A contra-ofensiva do Anjo Sacray foi devastadora. Três joelhadas atingiram veloz e violentamente o nariz do maldito invasor, que caiu desmaiado, o rosto transformado em uma máscara vermelha de sangue.
O enviado dos céus moveu-se em direção aos cadáveres dos inocentes que haviam tombado e os ressuscitou. Efusivos abraços, beijos e lágrimas de alegria pelo reencontro se seguiram. Um rapaz reparou que, em dado momento, o semblante do anjo transpareceu um sorriso com a felicidade daquele povo.
Mas toda a esperança voltou a desaparecer quando os horizontes foram encobertos pela revoada de dragões. A profecia ainda precisava ser cumprida em sua totalidade. “O conhecimento daquilo que virá” teria que ser eliminado.

- Idiotas! – era Ayzarohn, com a voz anasalada, escarrando sangue – A garotinha que prevê o futuro. Ela é “o conhecimento daquilo que virá”. Ela deve morrer para que os dragões desapareçam e deixem seu reino em paz.

Todos o ignoraram. Muitos se perguntaram porque o Anjo Sacray não atacava diretamente os dragões, pois ele seria o único capaz de derrota-los. Mas, no fundo, todos tinham medo que o maldito tivesse razão e a garotinha tivesse realmente que morrer.

Mas o Anjo Sacray tinha outra coisa em mente para garantir que a profecia se cumprisse."

Continua...

3 comentários:

  1. Primeiramente, obrigado pela divulgação (e por mais um ótimo conto), nobre amigo.

    Não sei se recebeste minha mensagem respondendo tuas perguntas, mas tenho imenso interesse em ver tuas histórias para o cenário de Elgalor. Inclusive, lançaremos uma série de contos de até 26 páginas narrando histórias dentro do cenário, e gostaria muito de contar com tua presença.

    Do mais, estou muito curioso para saber qual é a "carta na manga" que Sacray utilizará ao fim desta grande saga!

    ResponderExcluir
  2. Obrigado pela divulgação nobre amigo! e parabéns pelo post!

    ResponderExcluir
  3. Achei que a garotinha ia morrer... ufa!

    RPGames Brasil
    http://rpgamesbrasil.blogspot.com/

    ResponderExcluir