RPG Contos

domingo, 24 de julho de 2011

Servos de Yalanthara - Parte 1

Olá, amigos apreciadores de fantasia. Hoje, trago-lhes, com o atraso que me é característico, o início de uma nova saga protagonizada pelos mesmos personagens que apareceram em "Esmeraldas Negras".

Espero sinceramente que apreciem e comentem.

Servos de Yalanthara - Parte 1

"O lençol estava empapado de suor, mesmo não fazendo calor para tanto. O jovem virava-se de um lado ao outro em meio a gemidos fantasmagóricos de medo. O corpo queria agir, mas o espírito estava preso no mundo dos sonhos, limitado à condição de espectador, observando impotente àquelas cenas. O travesseiro caiu da cama, as respirações ficaram mais ofegantes e os gritos de “não” tornaram-se audíveis.
Murdaryk lutava para não contemplar passivamente aquilo, queria impedir, se vingar. Atacar, agir, gritar. Suas mãos, inconscientemente, procuravam seu machado, seus músculos retesavam-se, clamando por ação. Mas nada acontecia. O bárbaro apenas virava-se em sua cama freneticamente, balbuciando qualquer coisa sobre a segurança de alguém que parecia ser importante.
No auge do desespero, o pior aconteceu. Gritou e acordou. O pesadelo, cujo realismo fazia parecer mais premonição, chegara ao fim. Pela intensidade, o bárbaro não teve dúvidas: era um presságio.

A Rainha Yalanthara estava prestes a ser assassinada.

***

Yuryan, sessenta quilômetros a oeste da capital.

Em algum lugar daquela imponente cidade portuária, um estabelecimento comercial. Mesas e garçons desviavam uns dos outros, enquanto bebidas caras eram servidas para mercadores viajantes. Um bardo élfico entoava uma melodia inspirada. “Uma taverna de alto nível” resumiu Dargo.

- Não imaginei, e não quero parecer ofensivo ao dizer-lhe isso, que pudesse haver locais de tão alto nível em sua terra natal, estimado amigo.

Hydayn percebia não ser alvo de olhares indesejados, curiosos em saber o motivo de tatuagens tão exóticas cobrirem seu pescoço, testa e cabeça. Até mesmo outros monges, por vezes, o questionavam. Ali, naquele local, ele sentia-se feliz por não chamar a atenção.

- Meu amigo, eu fico feliz em saber que minha cidade te surpreendeu positivamente.

Dargo foi servido de generosas quantidades de vinho. Hydayn aceitou a oferta e provou uma bebida exótica com sabor levemente ácido.

- Mas, diga-me, Dargo: onde está Yanysha? Achei que a encontraria aqui, em seus braços – Hydayn sorriu.
- O pai dela faleceu há dois dias. Ela viajou para a cidade de Tardakhan, que foi o local do cortejo. Pretende ficar lá com a mãe dela por algum tempo
- Vou parecer indiscreto, mas acredito que tenha liberdade suficiente para lhe fazer esta pergunta: por que você não foi com ela?

Dargo demorou um pouco para responder. Era visível que estava procurando as palavras corretas.

- Murdaryk. Ele me disse dias atrás que uma ameaça terrível surgiu e que seria importante estarmos próximos uns dos outros em caso de necessidade.
- Vai me desculpar, Dargo, mas nosso estimado amigo bárbaro tem o hábito de ver ameaças e profecias até nas fachadas das estalagens. Você não devia, e mais uma vez desculpo-me se pareço estar intrometendo-me em sua vida privada, deixar sua esposa sozinha em um momento como esse.
- Não é só isso – Dargo serviu-se de mais vinho – Em verdade, tenho que admitir que nunca tive um bom relacionamento com o pai de Yanysha. Espero que não se importe de eu não entrar em detalhes, mas acho que posso resumir tudo lembrando a você que ele não foi a nosso casamento.

Hydayn sentiu um certo constrangimento em continuar com aquele assunto. Percebeu ter entrado em detalhes particulares demais e tratou de tentar corrigir o erro.

- Já que estamos falando de surpresas positivas – o monge falou – devo aproveitar para dizer o quanto fiquei impressionado com o sabor desta bebida.
- Yanysha já imaginava que eu não iria ao enterro do pai dela – Dargo voltou ao assunto – Mas ressalto que ela não ficou chateada comigo por causa disso e ela mesma fez questão de deixar isso claro antes de viajar.

Passados alguns minutos, Hydayn conseguiu conduzir a conversa para assuntos mais amenos. A música ambiente foi ficando cada vez mais melodiosa e emotiva e tudo parecia caminhar para que mais uma tarde agradável chegasse ao fim de forma tranqüila.

Mas não foi isso que aconteceu.

***

Um senhor, obeso, barba por fazer, manchas de vômito nas roupas rasgadas, ingressou no estabelecimento. Trôpego, regurgitou no chão limpo parte do que ainda tinha na garganta.

- Desagradável – Hydayn disse.
- Se Durud estivesse aqui, aposto que ele diria algo como: “Poderia ser pior. O velho poderia vir vomitar na nossa mesa”.

Antes que ambos pudessem gargalhar, viram o senhor caminhar em direção a eles. Todos os presentes viraram-se para ver os dois amigos serem abordados pelo velho. Os olhos do idoso adquiriram um estranho brilho rubro. Sua voz, que supostamente deveria sair gorgolejante, se fez ouvir clara e limpa.

- O mundo corre perigo. Tudo que existe vai deixar de existir. Vocês cumprirão um papel decisivo na continuidade ou não do mundo como o conhecemos. Lutem com bravura. Lutem...

A respiração descompassada do velho cessou. Seu corpo caiu sobre a mesa de Dargo e Hydayn, expelindo uma quantidade considerável de vômito. E o misterioso senhor morreu.

***

Castelo Real.

Murdaryk, furioso, machado em suas mãos, frente a frente com um inimigo comprovadamente mais poderoso.

- Vim tomar a vida de sua Rainha. Seja um bom súdito e não atrapalhe.

A lâmina não encontrou seu alvo. O bárbaro enfureceu-se, mas continuava a não ser bem sucedido em seu ataque. Seu oponente ria da impotência dele.

Poucos metros atrás deles, a Rainha Yalanthara parecia conformada com o que o destino lhe havia reservado."

Continua...

2 comentários:

  1. Pelas minhas barbas!

    Esta nova saga começou com força total! Meus parabéns!

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  2. Muito bom mesmo! Amanhã já lerei a segunda. Espero que a rainha Yalanthara não morra e que os heróis possam sobreviver a mais uma saga!

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