Espero que apreciem e comentem.
Servos de Yalanthara - Parte 6
"Passaram-se várias horas.
Tahya usou sua comunhão com a natureza para invocar uma águia gigantesca. Ela serviria como meio de transporte até a próxima torre. Nan optou por ficar onde estava, aos pés da torre destruída, em repouso, recuperando lentamente suas energias arcanas. Quando estivesse novamente em condições de ajudar seus amigos, iria atrás deles.
Os ferimentos doíam menos, o cansaço já não cobrava um preço tão alto. Mas todos eles ainda sentiam-se enfraquecidos. Murdaryk tinha o coração corroído pela triste lembrança da morte de sua monarca. Fora isso, era o líder de seus amigos. O principal culpado caso falhassem. Sua autoconfiança costumeira parecia tê-lo abandonado.
Hydayn e Dargo, igualmente fracos, buscavam no silêncio o repouso de que precisavam. A Torre Leste não estava mais tão longe, e viajar nas costas de uma águia com um vento cálido a soprar em seus rostos era algo que trazia uma bem-vinda sensação de paz.
Pouco conversaram durante o trajeto. Murdaryk até achou que deviam elaborar uma estratégia para derrotar os próximos guardiões ou para derrubar a torre, mas acabou não falando nada. Os músculos de seu corpo ainda latejavam. E a paz advinda do silêncio era maravilhosa demais para ser desperdiçada.
Chegaram à Torre Leste.
***
O Castelo Real ainda era um antro de tristeza e profunda desolação. Lágrimas escorriam por todos os rostos, nobres e servos ainda se abraçavam em meio a soluços e a um pranto que parecia que não acabaria.
Uns poucos sabiam a verdade, e apenas estes encontraram motivo para voltar a sorrir.
- A garota que Durud trouxe... É ela?
- Sim. A escolhida. Já temos certeza.
- Ainda não deve estar pronta, imagino. Mas, certamente, agora podemos voltar a ter esperanças.
A guerra ainda não tinha começado de fato. Mas já existiam chances de vitória.
***
A Torre Leste pouco diferia da Norte, exceto por estranhas faíscas avermelhadas que a circundavam. Mal os servos de Yalanthara chegaram, já foram recebidos por rochas colossais atiradas por um gigante. A águia desviou-se do ataque habilmente.
- Vamos – Murdaryk bradou, embora sem a empolgação costumeira.
Tahya manteve-se sobrevoando em sua companheira. Sua intenção era chamar a atenção do gigante, enquanto seus amigos, que já estavam no chão, o atacavam. A druidisa havia emprestado sua cimitarra para Hydayn, por isso só podia contar com suas habilidades naturais e com o auxílio de sua águia.
Notando que o inimigo estava distraído com o ataque aéreo, Murdaryk avançou com seu machado, visando a perna esquerda do gigante. Surpreendeu-se com a percepção do rival, que o notou, esquivou-se do golpe e ainda contra-atacou com um violento chute que atirou o bárbaro longe.
Hydayn e Dargo também avançaram, armas em punho, cientes da agilidade de seu oponente – mas sem muita escolha. Cada um tentou cravar sua lâmina em um dos pés do gigante, e ambos frustraram-se com o salto dado pelo monstro. Foi a vez de eles terem que se esquivar para não serem esmagados.
Apesar da velocidade da águia, ela logo foi abatida por um violento soco desferido pelo gigante. Tahya e sua companheira foram lançadas ao chão violentamente. A ave parecia ter quebrado o pescoço. A druidisa ainda foi capaz de levantar-se, mas seus braços não tinham forças para golpear, nem suas pernas para se moverem. Tirou do interior de suas vestes um pequeno fruto do tamanho de um grão de arroz. Mastigou-o e sentiu as forças regressarem. O sangue estancou. E foi à luta.
Murdaryk se recompôs e ficou furioso. Avançou ensandecido em direção ao gigante, sem dar atenção ao fato de que a criatura preparava-se para arremessar uma imensa rocha. O bárbaro desviou-se com dificuldade e atingiu de raspão o calcanhar inimigo. Dargo e Hydayn também atacaram, juntamente com Tahya.
Os quatro começaram a golpear ao mesmo tempo os pés, pernas e tornozelos do gigante, que por fim caiu. Sangrando, o monstro colocou-se de joelhos antes que os ataques recomeçassem e desferiu socos nos inimigos diante dele. Todos conseguiram esquivar-se, exceto Dargo.
Murdaryk continuava furioso e seguiu atacando com o machado. Acertou de raspão as costas da mão direita do gigante, que urrou de dor e agarrou o bárbaro com as duas mãos. Foi então que o bárbaro percebeu o tamanho do gigante e a noção de seu poder.
- Vai esmagar meus ossos – pensou, enquanto sentia as imensas mãos o espremerem.
Tahya, Dargo e Hydayn preparavam um novo ataque em investida, quando viram os olhos do gigante virarem-se nos globos oculares, suas mãos afrouxarem e seu corpanzil colossal cair sem vida.
Atrás do cadáver, viram Durud sorrindo. Havia cravado uma lâmina mágica em um dos nervos da nuca do adversário.
- Ainda sei ser furtivo e ainda sei atingir um ponto vital de um inimigo – ele bradou.
- Só não sabe chegar a tempo de impedir que seus amigos se machuquem – Dargo respondeu.
- Poderia ser pior: eu poderia não ter chegado a tempo de evitar que os ossos de Murdaryk se quebrassem.
Hydayn aproximou-se do corpo caído de Murdaryk, arrastou-o para longe do cadáver do gigante e constatou:
- Os ossos dele estão quebrados. Todos eles.
E ainda faltava derrubar a torre."
Continua...
Depois de tanto trabalho...
ResponderExcluirExcelente continuação, nobre Jaco! E os fãs de teu trabalho exposto em meus Salões continuam a crescer!
Pobre Murdaryk!! Mas pelo menos há uma esperança nova nascendo... espero que o sofrimento do grupo não seja em vão!!
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