RPG Contos

domingo, 20 de novembro de 2011

Servos de Yalanthara - Parte 11

Saudações, amigos. Trago-lhes a continuação da saga "Servos de Yalanthara".

Espero que apreciem e comentem.

Servos de Yalanthara - Parte 11

"Uma fração de segundo. Possibilidades. Dúvidas. Decisão.

“Criar um campo de força arcano e pedir a todos os deuses que ele suporte o peso das montanhas?”
“Segurar a mão de todos e tentar um teletransporte para outro lugar?”
“Correr o mais rápido possível e torcer para que todos sejam ágeis o bastante para escapar das montanhas?”
“Destruir as montanhas com alguma conjuração direta?”
“Agarrar o corpo másculo de Hydayn e ter um pouco de prazer nos últimos segundos de vida?”

Nan teve pouco tempo para pensar. Na dúvida, acabou não fazendo nada.

E as montanhas caíram sobre eles.


***

Hydayn deu tapas nos amigos. Tahya e Murdaryk se recompuseram rapidamente. Dargo, Nan e Durud demoraram mais, mas acabaram recobrando a lucidez. Os cinco ficaram de pé. E então surgiram as dúvidas.

- Onde estamos?
- Estamos vivos?
- E as montanhas?

Hydayn sorriu para os amigos.

- Aparentemente, uma ilusão. Provocada por ele.

O monge apontou para cima. Algo ou alguém flutuava dentro de um glóbulo imenso de energia negra. A visualização era difícil, porque uma estranha névoa encobria o ambiente. Soprava um vento frio e antinatural. Havia luz, mas era parca e fraca. Havia também um frio na espinha de cada um dos servos de Yalanthara.

- Então, você é o mago Macarus? – gritou Murdaryk, ainda um pouco zonzo, mas com o machado em punho.

A resposta foi uma rajada de energia negra, facilmente desviada pelo bárbaro. Como o mago mantinha-se flutuando a alguns metros de altura e nenhum deles tinha armas de ataque à distância, tiveram que aguardar que Macarus se aproximasse. O que não aconteceu. E novas rajadas arcanas vieram.
Primeiro, um globo de energia amarronzada que explodiu ao lado de Tahya e Dargo, após um veloz movimento evasivo de ambos. Depois, uma onde de choque que atingiu o chão e foi avançando em direção aos heróis. A terra se ergueu e todos se sentiram golpeados de baixo para cima pelo poder mágico. O impacto foi forte o bastante para desequilibrar a todos, mas ninguém caiu.
Cada um correu para um lado. Queriam se dispersar para não serem atingidos todos de uma vez. Entendendo a estratégia inimiga, o mago lançou dezenas de pequenas labaredas de fogo do tamanho de maçãs. Durud descobriu, da pior maneira possível, que aquelas chamas explodiam, além de apenas queimar. Duas delas o acertaram.

- Nan, tente usar alguma magia que o faça descer! – Murdaryk gritou.

A feiticeira halfling começou a se concentrar. Cerrou os olhos e pronunciou algo estranho. Sentia a energia arcana fluir, quando foi violentamente atingida por uma esfera de fogo. O corpo chamuscou e queimou, caindo no chão. Nan levantou-se de novo e voltou a se concentrar para outra conjuração. Sabendo que a amiga seria alvo do ataque inimigo e não poderia revidar, Dargo colocou-se em frente a ela.

E recebeu o ataque.

Correntes de relâmpagos. Cinco, dez, quinze, eram rápidos demais para serem contados. As descargas elétricas acertaram o corpo do guerreiro com violência. Nem a armadura completa que ele trajava foi capaz de protegê-lo. Caiu, sem sentidos. Mas isso deu a Nan o tempo que ela precisava.

- Agora!

Um clarão surgiu e luz e trevas se misturaram por alguns segundos. Olhos se fecharam por instinto, silêncio e barulho se tornaram um só. Tontura, desequilíbrio. Todos se sentiram como se estivessem de cabeça para baixo. Ou como se o chão tivesse virado céu e vice-versa. Por um instante, tinha mesmo.
E a luz maligna que circundava o corpo de Macarus sumiu. Ele estava no chão. Ao alcance de todos. Uma capa rubro-negra rodeava seu corpo. O rosto era branco, como se o colorido da vida não existisse ali. Cabelos curtos e escuros, olhos de um vermelho profundo e sinistro, nariz adunco. A capa não se abria. Só era possível ver as mãos com as palmas voltadas para frente.

- Vocês não deveriam estar aqui – a voz era fria e sem vida – Não ainda.

Hydayn se colocou em frente ao corpo caído de Dargo. Tahya estava com a cimitarra pronta, sem saber se conseguiria invocar suas habilidades de comunhão com a natureza naquele local. Durud, discretamente, ia para a lateral do campo de batalha, posicionando-se para um ataque surpresa quando a chance surgisse. Nan resfolegava, exaurida de suas forças. Murdaryk, machado em punho, caminhava lentamente até Macarus.
O bárbaro, subitamente, avançou em desabalada carreira. Sua lâmina rasgou o ar. Com o canto do olho, viu seu alvo mover-se com uma velocidade impressionante para o lado. Um novo golpe e uma nova esquiva. Mais dois ataques e mais duas evasivas. Era difícil acompanhar os movimentos quase sobrenaturais do mago.
E então, Macarus atacou."

Continua...

3 comentários:

  1. Não me canso de repetir; tu és um grande escritor, nobre Jaco!

    Acabei de ler esta parte do conto e já estou ansioso pela próxima...

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  2. Incrível! Nossa, é por essas e outras que eu odeio lutar contra magos... traga-nos logo a próxima parte!!!!

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