Servos de Yalanthara - Parte 14
"Krisser, outros dois eruditos e a futura Rainha Ayara conversavam. Haardad entrou subitamente na sala, quase derrubando a porta e alguns guardas que tentaram impedí-lo.
- Apesar de devermos muito a você, Haardad, saiba que todos nós apreciaríamos se mostrasse um pouco de educação – disse Krisser, com acidez.
- Minhas desculpas pela pressa. Afinal, temos todo o tempo do mundo para desperdiçarmos com formalidades, não é mesmo?
Não havia mais cadeiras na sala.
- Vou ter que ficar de pé? – Haardad perguntou.
- O ideal seria você ficar de joelhos – foi a resposta – Está diante da futura Rainha.
- Tem sorte de eu não ter tempo para me preocupar em sentar. E por falar em rainha, ela já foi coroada? Você há dias fala sobre urgência, mas não fez ainda o que de mais urgente cabia a você.
- Uma coroação exige toda uma preparação...
- Não temos tempo para isso, Krisser – Haardad interrompeu – Macarus vencerá se continuarmos perdendo tempo. Coroe-a imediatamente. Chame o Alto Conselho. Prepare a Coroa e o Cetro Real. Reúna cem testemunhas. Esqueça as demais formalidades. Vamos ter muito tempo para dar a nossa monarca festas luxuosas se não morrermos ainda hoje.
As palavras de Haardad foram pronunciadas com dureza. Antes que houvesse qualquer resposta, ele abandonou o aposento. Em um dos muitos corredores do castelo, encontrou uma jovem que parecia aflita. Ao lado dela, uma senhora de cabelos grisalhos, possivelmente sua mãe.
- Por gentileza, senhor. Meu nome é Yanysha e estou aguardando notícias de meu marido, Dargo. O senhor o conhece? Sabe quem possa ter alguma novidade sobre o paradeiro dele?
- Minha jovem, o que sei é que ele está lutando com bravura para salvaguardar nosso mundo. Mas esteja ciente de que as chances de sucesso dele e de seus amigos são pequenas. Caso acredite nos deuses, ore a eles.
Haardad saiu da presença das duas. Yanysha havia prometido a si mesma ser forte. Não chorar. E não o fez. Sua mãe a abraçou. Voltaram a seus aposentos.
***
As providências para a coroação foram tomadas. Muitas formalidades tradicionais foram ignoradas por falta de tempo. Apenas o indispensável para que Ayara fosse reconhecida como Rainha foi feito. O trono foi adornado com discrição. O tapete vermelho, os brasões, as jóias reais e todo o restante da decoração foram ajeitados velozmente. Servos do castelo e soldados que guarneciam as muralhas da capital foram chamados às pressas. Muitos deles não puderam nem vestir suas melhores roupas. Em verdade, nem a futura monarca pôde fazê-lo.
Apesar disso, Ayara estava majestosa. Os lábios foram coloridos de um vermelho vivo, as bochechas levemente rosadas e o cabelo foi mantido solto, indomado, esvoaçante. Em cada mão, um anel incrustado de diminutas opalas e esmeraldas rutilantes. Usava uma gargantilha de ouro puro adornada por jaspes e rubis. Trajava um vestido branco de seda finíssima e calçava sapatilhas também brancas, que realçavam a delicadeza de seus pés.
E caminhou, conforme o ritual de coroação exigia, pelo tapete vermelho. Os súditos ali presentes se ajoelharam e baixaram a cabeça. Palavras foram ditas, juramentos de vassalagem foram feitos e a Coroa e o Cetro foram entregues à nova monarca. Ela sentou-se no trono e foi demoradamente reverenciada. Já era oficialmente a Rainha.
Não muito depois, Haardad adentrou a sala do trono praticamente vazia. Usava sua armadura de batalha, tinha na bainha uma imensa espada mágica. Prostrou-se ante Sua Majestade, beijou-lhe a mão e ignorou os avisos dos quatro guardas presentes de que não deveria incomodar a Rainha.
- Majestade, seus afazeres reais começam agora. Espero que esteja preparada.
- O que tenho que fazer?
- Salvar seu mundo da destruição iminente.
Haardad tirou da fivela do cinto um pequeno diamante, que começou a brilhar. O rútilo intenso foi se intensificando, até ganhar o formato de um portal. A Rainha estava começando a entender, e rezando para não ter que fazer o que ficava claro que teria que fazer.
- Para onde vamos? – ela perguntou
- Ensinar uma lição a um mago malvado que tem nos causado problemas.
***
A cimitarra de Tahya e a espada larga de Dargo tinham sido arremessadas para longe. Ambos estavam caídos, sangrando bastante, usando a força de vontade para não perderem a consciência. Murdaryk não tinha mais equilíbrio para caminhar, pois suas duas pernas apresentavam talhos e cuspiam pus a cada tentativa de movimento. Hydayn segurava o peito com a mão, como se pudesse controlar a respiração descompassada e estancar os sangramentos com aquele gesto.
Durud e Nan ainda estavam de pé. O ladino estava parado em frente ao inimigo, sorrindo. Sabia que não havia mais esperança, mas não daria ao mago maldito o prazer de vê-lo assustado. A halfling tinha poucos ferimentos, mas não tinha mais recursos arcanos, nem objetos mágicos aos quais recorrer.
Hydayn levantou-se com dificuldade. Macarus estava a poucos metros dali, também ferido, também sangrando, também com a respiração acelerada de quem tinha feito um grande esforço. Mas o mago tinha ao redor dele um campo de força arcano. Uma barreira de energia mágica sutil que o circundava, intimando os inimigos. Hydayn só lutava corpo-a-corpo, e não podendo fazê-lo, não tinha como vencer.
- Nossos mundos irão se fundir – Macarus disse – Ao abrir a passagem para este mundo, vocês possibilitaram que eu colocasse em ação um plano mais ambicioso do que sua falecida rainha jamais seria capaz de supor. Vou realizar um ritual ancestral que fará o seu mundo se fundir ao meu. E no novo mundo que surgirá, apenas eu terei o poder.
- Deteremos o processo – Hydayn rebateu de chofre – Impediremos essa vilania. E se não pudermos, faremos você em pedaços e mandaremos cada um deles para uma das mil camadas do inferno.
O monge se levantou. Macarus agitou os braços e dedos, e a luz ao redor dele começou a se dirigir até as palmas de suas mãos. O brilho se condensou em uma bola de energia. Nan buscou forças para conjurar alguma coisa, mas não conseguiu. O esforço exauriu o que restava de suas energias e ela caiu. Durud tentou esconder-se, porém seus movimentos foram vistos pelo mago e ele acabou desistindo da idéia.
- Mate as saudades de Yalanthara no inferno! – Macarus gritou.
A imensa energia foi atirada em Hydayn. O monge foi atingido em cheio, caindo no chão com o impacto. Durud e Nan correram em direção a ele, tendo como canção de fundo as gargalhadas de seu algoz. Os ferimentos do amigo deles eram muitos e ele estava desacordado. Ou pior.
- Não está mais respirando – disse Nan – Infelizmente, Hydayn está morto."
Continua...
NÃÃÃÃO!! Pobre Hydayn... maldito Macarus! O que vai acontecer agora???
ResponderExcluirPelas minhas barbas!!!!
ResponderExcluirHydayn está morto!!!!
FELIZ 2012, BJS PRI
ResponderExcluirPRI E OS LIVROS