Espero que apreciem e comentem.
Servos de Yalanthara - Parte 15
"Murdaryk avançou furioso. Suas pernas não tinham mais firmeza, nem lhe forneciam equilíbrio, mas o ódio sobrepujou as limitações e ele correu. Em poucos segundos, estava diante de Macarus. O machado percorreu um arco até chegar ao mago, que deteve o golpe com uma das mãos revestida por uma barreira arcana.
- Minhas desculpas por não ter matado você primeiro. Bem sei que você é o que mais sente saudades de Yalanthara.
O bárbaro bufava de cólera. Pressionava sua lâmina contra a mão inimiga, porém o poder mágico que circundava o inimigo estava além do que ele podia combater. Notando que apenas a mão de Macarus estava protegida por magia, Murdaryk movimentou o pescoço para trás tomando impulso, e desferiu uma violenta cabeçada na testa do inimigo, que cambaleou para trás. E caiu.
Nan chorava sobre o corpo caído de Hydayn. Estava enfraquecida pelo combate e não tinha mais forças mágicas que lhe permitissem ajudar os amigos. Emocionalmente também não tinha mais capacidade de continuar combatendo. A tristeza falava mais alto e tudo que ela conseguia fazer era chorar.
Tahya, Dargo e Durud seguravam-se uns nos outros. Viam sua amiga halfling chorar, seu amigo morrer, seu outro amigo lutar contra um inimigo mais poderoso e viam a si mesmos cada vez mais incapazes. Pior: viam nos céus algo estranho. Sentiram a terra tremer e o estômago borboletear. Uma tontura súbita tirou-lhes o pouco equilíbrio que tinham. Caíram. Tentaram levantar-se, mas a desorientação foi mais forte. Era a mesma sensação que tiveram após cruzarem as dimensões.
Os mundos estavam começando a se fundir.
Murdaryk acertou um golpe certeiro com seu machado no braço direito do mago, que pendeu ensangüentado. Macarus urrou e desconcentrou-se, perdendo por segundos a proteção mágica que o salvaguardava. O bárbaro aproveitou-se disso para atacar, atacar e atacar. Golpes laterais, verticais, socos, chutes e investidas. Não havia mais estratégia, não havia mais tática. Não havia mais nada. Só desejo de matar.
Após uma das muitas evasivas, Macarus aplicou uma rasteira no oponente. As pernas feridas de Murdaryk não resistiram e o bárbaro foi velozmente de encontro ao chão. O choque da cabeça contra o piso pedregoso atordoou demais Murdaryk, dando à Macarus o tempo necessário para que uma imensa bola de fogo arcana surgisse em sua mão direita.
O horizonte ganhou uma tonalidade estranhamente colorida, em óbvio contraste com o borrão cinzento que sempre fora naquela dimensão. Tahya e os demais acharam se tratar de um efeito colateral da fusão entre os mundos, no entanto estavam enganados. Um diminuto portal surgiu e foi crescendo de tamanho. Duas pessoas chegaram.
Haardad e a recém-coroada Rainha Ayara.
Antes que os dois pudessem se situar, ouviram um barulho de explosão e o som agudo de Tahya gritando. Durud balançou a cabeça em negativa, Dargo deixou que lágrimas surgissem. Nan ergueu a cabeça e viu, a metros de distância, que os motivos para chorar tinham apenas começado.
Macarus pegou pelo pescoço o corpo inerte de Murdaryk e o examinou. Percebeu que a vida havia se exaurido e arremessou o cadáver em direção aos colegas do bárbaro. E gargalhou.
Com dificuldade, Tahya, Durud, Dargo e a Rainha Ayara foram até o corpo de Murdaryk e chegaram à triste constatação de que ele estava morto. Tahya voltou a gritar, Durud balançou novamente a cabeça e Dargo deixou que as lágrimas encharcassem sua face. A monarca não soube o que fazer. Queria consolar os outros, mas não encontrava palavras. Mais uma vida havia se perdido.
Haardad caminhou em direção à Macarus. O mago maldito cessou as risadas. Pela primeira vez desde que o combate começara, ele parecia se sentir seriamente ameaçado pelo seu rival.
- Chegou um pouco tarde, velho amigo! – o mago provocou, voltando a exibir o sorriso sarcástico habitual.
- Nunca é tarde para acabar com sua raça imunda, Macarus – foi a resposta.
- Poderia ter impedido a triste morte desses dois inúteis. Bem sei que você odeia mortes desnecessárias.
- Não vou me martirizar se aqueles que se diziam os mais poderosos servos de Yalanthara não foram capazes de se defenderem por si próprios. A mim só interessa te enviar para uma eternidade no inferno.
Por um momento, Durud, que contemplava a cena ao longe, se perguntava quais as reais capacidades do misterioso Haardad. O ladino intercalava olhares ao combate e ao corpo sem vida de seu amigo. Indeciso, viu Dargo levantar-se, espada em punho, pronto para fazer alguma bobagem. Viu Tahya cair de joelhos, dominado pelo pranto, gritando por Murdaryk. Ouviu a Rainha Ayara dizer apenas: “Não cheguei a tempo”.
- O mundo miserável desses patéticos indivíduos será tomado pelas minhas energias arcanas. Algo muito semelhante ao que fiz com o seu mundo. Lembra-se, Haardad? – o mago provocou.
- Lembro que na primeira vez em que nos confrontamos eu te dei uma surra e você precisou fugir covardemente para não ser morto na frente dos seus servos. Lembra-se, Macarus?
Tão rápido quanto começaram, as bravatas acabaram. Poderosas energias arcanas foram liberadas por ambos os combatentes. Raios prismáticos, rajadas de fogo, gelo e outros elementos voavam de um lado a outro, chocando-se com o ataque inimigo. Os poderes mágicos dos rivais mediam força em um equilibrado confronto. Ao ver a extensão das habilidades de Macarus, Durud teve a certeza de que o mago esteve apenas brincando com ele e seus amigos. A batalha terrível que tinham tido até então fora, para o mago, apenas um aquecimento.
Haardad e Macarus suavam, respiravam aceleradamente e faziam caretas de dor e esforço. Pareciam combater no limite de suas capacidades, um movido pela pressa, outro pela satisfação de saber que o tempo estava a seu lado. Os céus cinzentos ganhavam um tom fúnebre, um negro opressivo, uma ironia ao luto que tomaria conta do mundo de Durud.
O combate seguia furioso, equilibrado, com a força arcana dos oponentes se equivalendo. Nan ainda chorava sobre o corpo de Hydayn, Tahya sobre o de Murdaryk. Dargo, embasbacado, apenas fitava o choque das energias, sem interferir no conflito. A Rainha Ayara olhava para os céus, para o nada e para tudo. Estava estupefata e em nada colaborava. Durud resolveu arriscar tudo.
- Dargo! – ele gritou – Prepare sua espada! Vamos mandar esse mago para os mil infernos agora, nem que tenhamos que ir junto e arrastá-lo pelos cabelos."
Continua...
MORRA MACARUS!!!
ResponderExcluirEspero que o próximo a tombar seja ele, e não mais algum dos heróis, MAGO MALDITO!!!